O que você vai conseguir
Um PDF assinado com a análise dos riscos do seu voo e as medidas que você vai tomar para reduzir cada um deles.
Quando você precisa disso
A ANAC exige a análise de risco para operações que não sejam puramente recreativas. Se você voa para um cliente, para uma empresa, para vender imagem ou para fazer inspeção, precisa dela.
Na prática, o ARO — sigla de Análise de Risco Operacional — também serve para duas coisas muito úteis: convencer o cliente de que você é profissional, e te obrigar a pensar no plano B antes do voo em vez de improvisar no susto.
Antes de começar
Você precisa do drone cadastrado e de 1 crédito.
Também precisa saber uma coisa: as operações são divididas em três categorias.
- Aberta — drone de até 25 kg, voando à vista, até 120 metros, longe de gente não envolvida. É a maioria dos voos. O documento dela é o ARO.
- Específica — quando o voo rompe algum desses limites. Exige uma análise bem mais pesada (chamada SORA) e autorização da ANAC.
- Certificada — operações de grande porte, com aeronave certificada. Não é o seu caso se você está lendo este guia.
VLOS quer dizer "voo dentro da linha de visada" (do inglês Visual Line Of Sight): você enxerga o drone com os próprios olhos o tempo todo, sem binóculo e sem depender da tela.
Passo 1: Escolher a categoria
Vá em Análise de Risco e clique em Gerar análise. A primeira tela é o seletor de categoria.

Escolha Aberta. Se o seu voo não couber nela, o app te leva para o caminho da Específica, que é outro assunto.
Passo 2: Descrever a operação
Preencha o que você vai fazer, onde e quando. Quanto mais concreto, melhor — quem lê precisa entender o voo sem te perguntar nada.
Exemplo preenchido
Descrição: Registro fotográfico de telhado para laudo de infiltração Local: Rua das Acácias, 400 — Campinas, SP Data: 22/08/2026, das 09:00 às 11:00 Altura máxima: 30 m Piloto: João da Silva — CPF 123.456.789-00
Passo 3: Selecionar o drone
Escolha qual drone vai voar. A lista mostra só os drones — acessórios como bateria e rádio não aparecem aqui, porque a análise é sobre a aeronave.
Passo 4: Avaliar cada risco na matriz
Esta é a parte principal. O app lista os riscos típicos de uma operação com drone: falha de motor, perda de sinal, bateria acabando, pessoa entrando na área, vento forte, falha de GPS, e outros.
Para cada um, você responde duas coisas:
Qual a chance de acontecer? De 1 (quase impossível) a 5 (é bem provável).
Se acontecer, qual o estrago? De 1 (nada de mais) a 5 (alguém pode se machucar seriamente).
O app multiplica os dois e pinta o resultado: verde para risco aceitável, amarelo para risco que precisa de cuidado, vermelho para risco que você precisa reduzir antes de voar.
Exemplo preenchido
Risco: Perda do sinal de controle Chance: 2 (improvável) Consequência: 4 (drone pode cair fora da área) Resultado: amarelo — exige medida de mitigação Medida: Configurar retorno automático a 60 m e testar antes do voo
Dica
Um risco vermelho não impede o voo — ele te obriga a fazer algo a respeito. Depois de escrever a medida, você reavalia: com a medida em prática, a chance ou o estrago caem, e a cor melhora.

Passo 5: Escrever os procedimentos de emergência
Diga o que você faz se der errado. Seja específico: "vou tomar cuidado" não é procedimento.
Exemplo preenchido
Perda de sinal: aguardar 5 segundos pelo retorno automático. Se não retornar, acionar RTH manual e caminhar até o último ponto conhecido. Pouso de emergência: usar o estacionamento vazio a 40 m a leste do ponto de decolagem, já verificado antes do voo. Pessoa entrando na área: pousar imediatamente no ponto mais próximo livre. Acidente com ferido: ligar 192 e informar o endereço completo já anotado.
Passo 6: Gerar e assinar
Revise tudo e clique em Gerar análise. O app desconta 1 crédito e cria o PDF.
Clique em Assinar para carimbar o documento com o seu selo. Diferente do Termo, o ARO tem só a sua assinatura — ele é uma declaração sua, não um acordo com outra pessoa.
Cuidado
Depois de assinado o ARO não pode ser editado. E, como o Termo, o PDF sai do servidor 60 dias depois da assinatura. Baixe e guarde a sua cópia.
O que diz a norma
O que diz a norma
RBAC-E 94, parágrafo E94.103
O regulamento da ANAC exige que o operador avalie os riscos da operação e adote medidas para reduzi-los antes de voar, mantendo esse registro disponível. Na prática: a ANAC não te dá um formulário pronto nem aprova a sua análise. Ela espera que você tenha pensado no assunto e consiga provar isso. O ARO é essa prova. Se acontecer um acidente e você não tiver análise nenhuma, a situação fica muito pior.
Atenção
A partir de 16 de junho de 2026 o RBAC 100 substitui o RBAC-E 94. A exigência de análise de risco continua para a categoria Aberta, com a mesma lógica. Vale a regra da data do seu voo: voo até 15/06/2026 segue o RBAC-E 94; a partir de 16/06/2026, o RBAC 100.
Erros comuns
- Marcar tudo como risco baixo. Um documento todo verde não convence ninguém e não te ajuda em nada. Seja honesto.
- Escrever medidas genéricas. "Voar com cuidado" e "ficar atento" não são medidas. Medida é uma ação concreta que você consegue executar.
- Não escolher o local do pouso de emergência. É a medida mais valiosa da análise inteira, e a que mais gente esquece.
- Fazer um ARO e usar para sempre. A análise é do voo. Local novo, condição nova ou drone novo pedem análise nova.
- Confundir ARO com Termo. São documentos diferentes: o ARO fala do risco da sua operação; o Termo fala do acordo com o aeródromo. Muitos voos precisam dos dois.
Depois disso
Você já domina o essencial: conta, equipamentos, mapa, tempo, contato, Termo e Análise de Risco. Os próximos artigos mostram como organizar tudo isso em operações e como funcionam os créditos.