O que você vai conseguir
Um PDF com a análise completa do seu voo pela metodologia SORA. Esse documento é o que você anexa ao pedido de autorização que faz para a ANAC.
SORA é a sigla de Specific Operations Risk Assessment — em português, "Avaliação de Risco de Operações Específicas". É um método internacional, criado por um grupo chamado JARUS, que a ANAC adotou. Ele transforma o seu voo em números: quanto risco tem no chão, quanto risco tem no ar, e o quanto você precisa provar que está preparado.
Atenção
A SORA não é uma autorização de voo. Ela é o documento de apoio ao seu pedido. Quem autoriza é a ANAC.
Quando você precisa disso
Quando o seu voo rompe qualquer limite da categoria Aberta. Por exemplo:
- Drone com mais de 25 kg.
- Voo acima de 120 metros do chão.
- Voo além da linha de visada — o chamado BVLOS, do inglês Beyond Visual Line Of Sight: você não enxerga mais o drone com os próprios olhos e depende de câmera, telemetria ou observador.
- Voo sobre pessoas não envolvidas na operação.
- Voo que entra na área de restrição de um aeródromo (a FRZ).
Se nada disso se aplica ao seu voo, você não precisa de SORA — precisa do ARO, que é bem mais simples. O artigo seguinte ajuda a decidir.
Antes de começar
Você precisa de:
- O drone cadastrado, com peso e dimensão corretos.
- 3 créditos (a SORA custa mais que os outros documentos porque é bem maior).
- Saber onde exatamente vai voar, e por quanto tempo.
- Cerca de 30 minutos de calma. Não dá para fazer no estacionamento antes do voo.
Passo 1: Escolher a categoria Específica
Vá em Análise de Risco e clique em Gerar análise. Aparece o seletor de categoria.

Clique em Específica. O app abre o assistente da SORA, com 6 passos.
Passo 2: Descrever a operação (ConOps)
ConOps quer dizer Concept of Operations — "conceito da operação". É a descrição do seu voo em texto: o que você vai fazer, onde, quando, com qual drone e com qual equipe.
Escreva como se estivesse contando para alguém que nunca viu a sua operação.
Exemplo preenchido
Operação: Inspeção de linha de transmissão de energia, 4 km de extensão Local: Rodovia SP-330, km 118 — zona rural de Limeira, SP Data: 14/09/2026, das 07:00 às 10:00 Drone: DJI Matrice 350 RTK — 6,3 kg, 0,9 m de envergadura Piloto: João da Silva — CPF 123.456.789-00 Equipe: 1 piloto + 1 observador com rádio Altura máxima: 90 m acima do solo Tipo de voo: BVLOS ao longo da linha, com observador móvel acompanhando
Nesse passo você também pode desenhar a área de voo no mapa. É opcional, mas ajuda muito quem vai ler.
Passo 3: Avaliar o risco no chão
Aqui o app pergunta o que existe embaixo do seu drone. Quanto mais gente no chão, maior o risco de alguém se machucar se o drone cair.
Desse cruzamento sai o GRC, sigla de Ground Risk Class — "classe de risco de solo". É um número de 1 a 10: quanto maior, pior.
Depois você marca os mitigantes, que são coisas que você faz para reduzir esse número:
- M1(A) — abrigo. As pessoas embaixo estão protegidas? Dentro de carro, de casa, de galpão?
- M1(B) — restrições operacionais. Você isolou a área, avisou as pessoas, colocou cones e fita?
- M1(C) — observação do solo. Alguém está olhando o chão em tempo real para avisar se aparecer gente?
- M2 — energia de impacto. O drone tem paraquedas ou algo que reduza a força da queda?
Exemplo preenchido
Área embaixo: zona rural com estrada vicinal pouco movimentada M1(A) abrigo: não aplicável (pessoas ao ar livre) M1(B) restrições: alta — área isolada com sinalização e aviso à concessionária M1(C) observação: média — observador com binóculo acompanhando a faixa M2 energia de impacto: não aplicável (drone sem paraquedas)
Dica
Cada mitigante tem três níveis de robustez: baixa, média e alta. Quanto mais alta, mais o GRC cai — mas você precisa conseguir provar o que marcou. Marcar "alta" sem ter como comprovar é o erro que mais derruba pedido na ANAC.
Passo 4: Avaliar o risco no ar
Agora a pergunta é: qual a chance de encontrar outra aeronave no ar?
Disso sai o ARC, sigla de Air Risk Class — "classe de risco de ar". Vai de ARC-a (quase nenhuma chance de encontrar alguém) até ARC-d (muita chance, como perto de um aeroporto movimentado).
O app faz perguntas simples e monta o ARC sozinho: é espaço aéreo controlado? Perto de aeródromo? Área urbana? Acima ou abaixo de 150 metros?
Depois você pode reduzir o ARC com mitigação estratégica — por exemplo, usar observador do espaço aéreo ou voar dentro da linha de visada.
Por último aparece o TMPR, sigla de Tactical Mitigation Performance Requirement — "requisito de desempenho da mitigação tática". Em português simples: o quão rápido e bem você precisa conseguir desviar de outra aeronave que apareça na hora. Quanto maior o ARC, mais exigente é o TMPR.
Exemplo preenchido
Espaço aéreo: não controlado (Classe G) Perto de aeródromo: não — 14 km do mais próximo Área: rural Altura: até 90 m ARC inicial: ARC-b Mitigação estratégica: observador do espaço aéreo com rádio ARC residual: ARC-b (já está no piso) TMPR: baixo
Passo 5: Ver o SAIL e descrever a contenção
Com GRC e ARC prontos, o app calcula o SAIL — sigla de Specific Assurance and Integrity Level, "nível de garantia e integridade específico". É um número romano de I a VI que resume o quanto a sua operação é exigente. SAIL I é a operação mais leve; SAIL VI é a mais pesada.
Atenção
Você não escolhe o SAIL. O servidor sempre recalcula GRC, ARC e SAIL a partir das suas respostas cruas. Não adianta tentar forçar um SAIL baixo mudando valores na tela — o resultado que vai para o PDF é o calculado no servidor.
Se o cálculo cair fora da faixa da categoria Específica, o app avisa que aquela operação é Certificada e não gera o documento — nem cobra crédito.
Nesse mesmo passo você descreve a contenção: o que impede o drone de sair da área planejada, e o que você faz se ele sair mesmo assim. É aqui que entra o seu plano de emergência (o chamado ERP).
Exemplo preenchido
Contenção: cerca virtual (geofence) configurada com 200 m de margem além da faixa da linha de transmissão. Altura máxima travada em 100 m no controlador. Emergência: perda de enlace aciona retorno automático a 120 m. Se o drone ultrapassar a cerca, o observador aciona pouso imediato por rádio e a equipe isola o ponto provável de queda.
Passo 6: Responder os 17 OSOs
OSO é a sigla de Operational Safety Objective — "objetivo operacional de segurança". São 17 perguntas sobre o quanto você e o seu drone são confiáveis: manutenção em dia, piloto treinado, procedimentos escritos, equipamento testado, e assim por diante.
O SAIL define quais OSOs você precisa cumprir e com qual robustez. Um SAIL II exige pouca coisa; um SAIL V exige quase tudo em nível alto. O app mostra exatamente o que é exigido de você — não precisa decorar tabela.
Exemplo preenchido
OSO 01 — Operador competente: alta. Piloto com curso EAD DECEA e 180 h de voo registradas em caderneta. OSO 05 — Drone projetado com integridade: média. Matrice 350 RTK com redundância de bateria e IMU dupla, conforme manual do fabricante. OSO 16 — Equipe multitripulada com procedimentos: média. Briefing escrito e divisão de funções entre piloto e observador.
Passo 7: Revisar, gerar e assinar
O último passo mostra tudo junto: ConOps, GRC, ARC, SAIL, contenção e OSOs. Confira com calma e marque a declaração de que as informações são verdadeiras.
Clique em Gerar análise. O app desconta 3 créditos e cria o PDF.
Depois clique em Assinar. A SORA tem só a sua assinatura — ela é uma declaração sua, não um acordo com outra pessoa.

O que diz a norma
O que diz a norma
RBAC 100 categoria Específica
O RBAC 100 diz que operações que rompem os limites da categoria Aberta só podem acontecer com autorização da ANAC, e que o pedido precisa vir acompanhado de uma avaliação de risco feita por metodologia reconhecida. Na prática: você não pode simplesmente voar acima de 120 metros ou além da vista e resolver depois. Você monta a SORA, envia o pedido, espera a resposta da ANAC e só então voa.
O que diz a norma
SORA 2.5 (JARUS)
A SORA 2.5 é a versão da metodologia publicada pelo JARUS, o grupo internacional de autoridades de aviação. Ela define as tabelas de GRC, ARC, SAIL e os 17 OSOs que o DroneCoord usa. Na prática: os números que o app calcula não são invenção nossa — saem das tabelas oficiais, e é por isso que o resultado é aceito como análise válida.
Erros comuns
- Marcar robustez alta sem ter prova. Se você diz que isolou a área em nível alto, precisa ter foto, plano de isolamento e registro. A ANAC pode pedir.
- ConOps vago. "Voo de inspeção em área rural" não descreve nada. Diga a rodovia, o quilômetro, a extensão, o horário.
- Achar que a SORA autoriza o voo. Ela é o documento de apoio. Sem a resposta da ANAC, você não voa.
- Deixar para a véspera. A análise leva tempo para montar e a ANAC leva tempo para responder. Comece com semanas de antecedência.
- Usar SORA quando o caso era ARO. Você gasta 3 créditos e complica um voo simples à toa. Confira a categoria antes.
Depois disso
Ficou em dúvida se o seu voo pede ARO ou SORA? O próximo artigo resolve isso com uma lista de perguntas objetivas.