O que você vai conseguir
Certeza sobre qual documento gerar antes de gastar crédito. No fim deste artigo você sabe se o seu voo pede ARO (1 crédito, simples) ou SORA (3 créditos, pesada, com pedido à ANAC).
Quando você precisa disso
Toda vez que a sua operação muda de característica: local novo, drone mais pesado, voo mais alto, voo à noite, voo sobre gente. Cada uma dessas mudanças pode empurrar o voo de uma categoria para a outra.
Antes de começar
Duas siglas, explicadas de uma vez só:
- ARO é Análise de Risco Operacional. Documento simples: você lista o que pode dar errado e o que vai fazer a respeito. Serve para a categoria Aberta. Custa 1 crédito.
- SORA é Specific Operations Risk Assessment, "avaliação de risco de operações específicas". Documento pesado, com método internacional. Serve para a categoria Específica. Custa 3 créditos e vira anexo do pedido à ANAC.
E mais três, que aparecem nas perguntas:
- VLOS — Visual Line Of Sight, voo dentro da linha de visada. Você enxerga o drone com os próprios olhos, sem binóculo e sem depender da tela.
- BVLOS — Beyond Visual Line Of Sight, voo além da linha de visada. O contrário do acima.
- FRZ — a área de restrição em volta de um aeródromo. Voar dentro dela exige coordenação prévia.
- AGL — Above Ground Level, "acima do nível do solo". Altura medida a partir do chão embaixo do drone, não do nível do mar.
Passo 1: O seu drone pesa até 25 kg?
Peso máximo de decolagem, com bateria, câmera e tudo mais montado. É o MTOW que você cadastrou no equipamento.
- Sim, até 25 kg → continue.
- Não, passa de 25 kg → é Específica. Vá de SORA.
Exemplo preenchido
DJI Mavic 3 Enterprise: 0,92 kg → passa DJI Matrice 350 RTK com carga: 9,2 kg → passa Drone agrícola DJI Agras T50: 92 kg → não passa, vai de SORA
Passo 2: Você vai enxergar o drone o tempo todo?
Voar à vista, sem depender da tela nem de observador para saber onde o drone está.
- Sim, VLOS → continue.
- Não, BVLOS → é Específica. Vá de SORA.
Atenção
Voar olhando a imagem da câmera não é VLOS. Voar com óculos FPV também não, a menos que você tenha um observador ao lado olhando o drone o tempo todo.
Passo 3: Você vai voar até 120 metros do chão?
Altura AGL, medida do chão embaixo do drone. Se você decola de um morro, a altura conta a partir do morro.
- Sim, até 120 m → continue.
- Não, mais alto → é Específica. Vá de SORA.
Passo 4: Você vai ficar longe de gente não envolvida?
"Não envolvida" é quem não faz parte da operação: pedestre, vizinho, público de evento, motorista passando na rua.
- Sim, longe de terceiros → continue.
- Não, vou sobrevoar ou passar perto de pessoas → é Específica. Vá de SORA.
Exemplo preenchido
Voo em fazenda com a equipe apenas: passa Voo em telhado de galpão com o pátio isolado: passa Voo sobre praça em domingo à tarde: não passa, vai de SORA Voo sobre show ou evento com público: não passa, vai de SORA
Passo 5: A área do voo fica fora da FRZ de aeródromos?
Abra o mapa do DroneCoord e veja se o ponto do seu voo cai dentro do círculo de restrição de algum aeródromo ou heliponto.

- Sim, fora da FRZ → é Aberta. Vá de ARO.
- Não, dentro da FRZ → é Específica. Vá de SORA — e além disso você precisa do Termo de Coordenação com o aeródromo.
Passo 6: Deixar o app confirmar
Você não precisa decidir sozinho. Em Análise de Risco → Gerar análise, a primeira tela é o seletor de categoria, com o resumo dos limites de cada uma.

E, se você escolher Específica e as suas respostas empurrarem o cálculo para fora da faixa, o app avisa que aquela operação é Certificada — e não gera documento nem cobra crédito.
Dica
A categoria Certificada existe na norma, mas é para aeronave com Certificado de Tipo, operação de grande porte. O DroneCoord não gera documento para ela — se o seu caso é esse, o caminho é direto com a ANAC.
O que diz a norma
O que diz a norma
RBAC 100, Arts. 38 e 40
O RBAC 100 é o regulamento da ANAC que passou a valer em 16 de junho de 2026, substituindo o RBAC-E 94. Ele separa as operações em Aberta, Específica e Certificada, e define os limites de cada uma: peso, altura, distância de terceiros e tipo de visada. O artigo 38 trata da avaliação de risco na categoria Aberta; o artigo 40 trata da autorização operacional na categoria Específica. Na prática: quem fica dentro dos limites da Aberta faz o ARO e voa. Quem sai deles faz a SORA, pede autorização e só voa depois da resposta da ANAC.
Atenção
Vale a data do voo, não a data em que você gera o documento. Voo até 15/06/2026 segue o RBAC-E 94; voo a partir de 16/06/2026 segue o RBAC 100.
Erros comuns
- Achar que voo comercial é sempre Específica. Não é. O que define a categoria são os limites técnicos, não se você está ganhando dinheiro.
- Contar altura do nível do mar. A conta é do chão embaixo do drone. Decolar de um prédio de 60 m e subir mais 100 m dá 160 m AGL, não 100 m.
- Ignorar a FRZ. Muita gente esquece dos helipontos de hospital e de prédio no meio da cidade. Eles também têm área de restrição.
- Gerar SORA "por garantia". Se o voo é Aberta, a SORA não te protege mais — só custa 3 créditos e complica.
- Fazer a análise uma vez e usar sempre. Cada voo é uma operação. Local novo, altura nova ou drone novo pedem análise nova.
Depois disso
Com os documentos certos em mãos, o próximo passo é juntar tudo em uma operação só — para não sair mandando três PDFs soltos por WhatsApp.